terça-feira, 11 de outubro de 2011

Roma, Vaticano e os Borgias no Campo di Fiori (3o dia)

Comecei a ver “os borgias”, seriado sobre a família que mandou no vaticano no fim do século XV, e fiquei encantada em ver relances de Roma pelo seriado... resolvi fazer uma pausa na minha missão impossível, ops, mestrado pra colocar mais algumas fotos (pelo andar da carruagem essa viagem vai render blog até o ano que vem rsrs) 
A primeira é no campo di fiori, do cinema Farnese, que fica atrás do Palazzo Farnese (onde não dá pra entrar, ou eu não reservei), nomeado como a família Farnese que aparece no seriado por ter sido uma também muito influente família na Itália da época. Uma moça chamada Lotte Verbeek faz a Giulia Farnese, que segundo a internet era a “sex-symbol da época de Colombo”, que foi amante do papa (papa-anjo, porque parece que não tinha nem 20 anos e que teria sido usada como modelo para varias pinturas de nossa senhora pelos pintores da época. Eu, em toda a minha ignorância, jurei que o quadro que mostram pintado dela no seriado era de verdade e que eu tinha visto! Mas na verdade colocaram a atriz retratada num perfil bem típico dos quadros da época, com cores muito fortes à La Rafael, e minha imaginação se encarregou de criar memória. Mas não criei quando reconheci as partes em que mostram os jardins internos do Vaticano, a fachada da praça de São Pedro, as paredes decoradas em quase-árabe-style com mosaicos de mármores de mil cores muito vivas... 


E ainda entrei numa viagem sobre a minha viagem e a igreja católica... No dia em que fui ao Vaticano, e que tirei a foto acima, comecei muito muito animada... 

(pausa para o Vaticano) 


No Vaticano, tudo é lindo. (Bem, Roma toda é assim...)



Do lado de fora é um muro muito alto, muito liso, muito de pedra e seco e hostil naquele sol quente-saara. Uma vez dentro do muro, tudo fica amplo, claro, colorido, lindo...


















Começa com o jardim:





Do jardim, como de todo o Vaticano, se vê a igreja de São Pedro, que vai merecer um post à parte porque consegue ser mais emocionante que todas as obras de arte dentro dos museus do vaticano (pra mim foi).







Entrando nas galerias, muitas cores muito vivas, você começa a entender que Rafael era um cara muito sagaz e porque tirava onda naquela época...


As chaves da igreja de São Pedro.


Pode ser que esses afrescos sejam de Leonardo. Não sei mais. Aprendi também com a guia que Rafael era um cara muito mais popular, morreu jovem, mulherengo e de sífilis, e que Leonardo era imundo (tipo nao lavou o pé por dois anos) e com uma personalidade asquerosa, morreu velho (clima vaso ruim não quebra) mas colocava Rafael no chinelo, segundo o próprio Rafael.



Mas aqui, assim como nos jardins de Luxemburgo de Paris, as fotos não conseguem passar bem o que é o lugar, que é enorme e não cabe nem no melhor enquadramento do melhor fotógrafo.







Esse é o quadro com ilusão de ótica: a guia insistiu pra gente olhar ele bem da direita e bem da esquerda, e não é que a perspectiva mudava toda mesmo?




Chegamos a um jardinzinho interno modesto, de onde mais uma vez vamos ver a basílica de São Pedro... A guia explicou algo muito legal sobre essa bola dourada, e pra provar o que estava dizendo aproveitou uma folguinha do segurança e ficou empurrando a bola pra gente ver ela rodar! Meio doida, mas animadíssima. Super recomendo fazer passeio guiado, principalmente se você não é que nem eu que sente o ouvido doer com qualquer tipo de fone de ouvido, que é essencial pra ouvir o que ela fala no meio daquela multidão de gente.





Dizem também que é bom chegar no Vaticano de tarde, porque todo mundo tenta chegar de manhã “antes de abrir” e o horário do rush é meio invertido. Com guia você pula a fila por ‘módicos’ 25 euros a mais que o valor do ingresso... Mas o acervo do vaticano é muito grande, entao ela ajuda a organizar o essencial. Outra opção é dar uma olhadinha em algum livrinho-guia das obras antes e durante pra se localizar. Aliás, fica logo o protesto contra os audioguides na Itália, que muitas vezes me falaram de quadros que nao estavam lá, ou contra o meu inglês defasado, e a favor dos livrinhos-guia de museus.

Estátuas romanas, algumas com olhos coloridos!





Vista da cidade do Vaticano.





Mil estátuas, pátiozinho interno humilde com muitas delas, lindíssimas, todas com histórias. Se bem me lembro essa debaixoà esquerda era de algum momento antes de cristo e foi achada sem braço. O braço foi refeito em outra posiçao até ser corrigido por Michelangelo, que aparentemente foi ultra-sagaz em adivinhar a posiçao em que o braço estaria (dobrado).








Tetos coloridos.


 

Uma banheira de Nero – disse a guia que esse mármore dessa cor aí está extinto, ou quase, ou o equivalente de extinto, já que não é um ser vivo, e que a maior parte do que existe no mundo está naquela banheira. Vale mais que ouro.




Até o chão é lindamente decorado.









Esse é o fluxo pra Capela Sistina... sinceramente, ela me decepcionou um pouco. Muita multidão, guardas gritando pra galera calar a boca, pescoço doendo (inevitável, olhando pro teto)... Mas ainda assim, uma questão de parar um pouco e se desvencilhar daquela confusão-saara pra poder apreciar os afrescos belíssimos. Dá vontade de ficar horas pra entender todas as passagens que são citadas nas pinturas, mas em determinado momento seu torcicolo não permite, e você segue em frente.



Eu voltaria na capela sistina. Também não consegui ir na coleção egípcia (tava fechada).








Isso ainda é antes da Capela – momento “aqui tudo é lindo” aplicado aos tapetes pendurados nas paredes.


 Esse tapete (debaixo) também tinha a ilusão de ótica. Segundo a guia, ninguém mais sabe como fazer isso. Ainda segundo ela, se você passar olhando pros olhos de Cristo vai ver ele acompanhando você com os olhos. Isso eu não vi não, mas muita gente do grupo viu e ficou fazendo "oh!", e eu também não consigo ver aquelas figuras que estão no fundo da figura que deixavam o Silent Bob encucado (profundidade não é meu forte) (eu juro que dirijo com cuidado apesar disso).



















Saindo da capela, apesar de alguma sensação inicial de vazio, você percebe que o “aqui tudo é lindo” prossegue... E vai vendo nos corredores coisas que não tem nem nome, que são incríveis, mas que ficam quase como naquele quartinho de entulho que a gente tem em casa? Meio sem muita lógica de estarem perto umas das outras, parecem estar ali porque não têm pra onde ir. Nesse clima encontrei pequenas coisas que eu adorei:

Relicários.




Porta do céu?



A terra no centro do universo.




Ainda a terra, com as órbitas dos planetas. Me lembrei do filme Ágora, que é lindíssimo. E que entre outras coisas fala do desenvolvimento das teorias referentes às órbitas dos planetas, das classificações de planetas “fixos” e “errantes” pros que não tinham a órbita desvendada... e vejam só o detalhe do modelo: “etoiles fixes”, que eu traduzi como estrelas fixas e achei que tinha tudo a ver.





Outro detalhes pras constelações astrológicas/astronômicas que até alguns séculos não eram coisa tão ‘alternativa’ como hoje.

Essa mesa também não é uma obra de arte, assim, no sentido de estar exposta, descrita e indicada. Fica quase no meio do caminho... queria uma assim pra pôr num cantinho da minha casa.





Vista do Vaticano (2). E aí, lembra Paris, do Arco do Triunfo? (Momento "quem imitou quem?")







Essas árvores são meio típicas da região, acho que do Lazio, onde fica Roma. Achei elas muito peculiares. Essas são as do monte Capitolino, onde a gente vai depois de visitar os fóruns romanos, e se for esperto leva um lanchinho pra fazer piquenique embaixo de uma enorme sombra no enorme jardim interno... mas isso é assunto pra outro post.




Continuando o Vaticano: aparentemente um símbolo fálico em voga na época: a PINHA! Com direito citação de Dante sobre a "pinha longa e grossa de sao pedro em roma" e plaquinha indicando o lugar da pinha (vai entender).






...e até a livraria é linda!








Enfim. O Vaticano é Maravilhoso, assim, com M maiúsculo. Mas ao longo do dia fiquei muito cansada, com fome, sede, me perdi nas ruas do vaticano, andei muito muito do lado daquele muro enorme no sol a pino, com sede (de novo? ainda? é verão, brasil, saara?), esperei um ônibus ou um taxi por longos e muitos minutos... 




(O percurso não era longo, na verdade, foi só um problema de "direita-esquerda"... mas aviso logo que se perder em roma é inevitável! Não sei o que eles fazem pra enganar o google maps.)



Pra no final do dia, meio mal humorada, me perder/me achar aqui na frente do cinema farnese, no campo de fiori, um lugar onde uma idéia como aquela sequencia de quadros e ‘feira’ na praia de Copacabana à noite vira uma praça, aconchegante, com gente parada do lado da fonte vendo a vida passar e tomando sorvete, moça olhando da janela, com livraria e lojinhas de roupa e cafés simpáticos, onde tem até palhaço-like soltando bolas de sabão enormes pras crianças (tinha muito adulto bobo que nem eu, olhando e filmando), tudo sem perder o clima cinema paradiso-‘na italia tudo parece velho’ que é Roma inteira.








 Alguma coisa é mais legal que bolhonas de sabão?


Yeah! Lua com bolhona de sabão.

Ou só a lua, voltando ao clima itália-filme-dos-anos-cinquenta.



Não faltou nem o contrabaixo acústico na praça (!!!)


Uma das mil ruelas de Roma (esses carros estavam todos estacionados, e ainda passava carro no meio deles).
E chegando em casa, quase meia noite, família sentada numa praça deserta, na porta da igreja, fazendo sei lá o quê, mas com muita tranquilidade (que inveja da vida sem medo de bala perdida). 

E a igreja com a minha viagem? Bem, acho que a igreja católica começou sim de uma coisa muito boa, que se perdeu pra caramba e tal, e que, quem sabe, pode ainda se achar e ter coisas boas e surpreendentes pra oferecer, e principalmente quando a gente volta a focar nas coisas mais simples. Sustento que na Itália é mais fácil entender o que é a igreja, e que talvez só agora eu tenha entendido o que é, ou o que é pra ser, uma igreja, e que pode ser só um lugar pra você entrar e respirar tranqüilo, e no meio de tanto requinte e riqueza, conseguir de repente enxergar uma beleza mais simples e ao mesmo tempo transformadora, que nem tomar sorvete e ver bolinha de sabão...
Muito mágico tudo isso :) 



2 comentários:

  1. Ana,
    O blog está fantástico! As fotos ficaram ótimas e o relato muito divertido. Estou esperando as novas atualizações. Bjs, Luciano

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  2. Mais uma vez, parabéns biscoita! Ótimas fotos e narrativa envolvente, se a tese não anda pelo menos o blog diverte : )
    Provavelmente o Vaticano mereceria uma visita em dois dias, tipo Louvre né?
    Amei as bolhonas! Bj

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