domingo, 2 de outubro de 2011

Giverny (17o dia)


Aqui na Gare Saint-Lazare (também é uma rima, porém menos feliz) foi onde o dia quase não começou. Toda orgulhosa depois de ter vindo do aeroporto de trem sem sobressaltos, supunha eu tirar de letra a ida à Giverny. Perdi o trem nesse inferno dessa estação subindo e descendo na estação de metrô anexa – eu disse anexa, não contígua! Porque ninguém me avisou que tinha que sair da estação? Precisavam me dar mil indicações incongruentes, me deixar passar pelo papelão de ficar presa na catraca do trem por não ter o bilhete certo pra sair dela, e ter que voltar por baixo? Fica aqui a dica. Não que seja necessária, porque aparentemente ninguém que eu conheço teve problemas aqui, foi uma exclusividade toda minha... Mas pra sair do metro nessa estação, suba, suba, suba, suba muito até chegar à superfície e só depois você verá a estação da foto, cercada por gente mal encarada e um pedaço de rua meio deserto, pelo menos no sábado de manhã. Siga as indicações “main lignes”, “linhas principais” ou algo parecido. Não desça, desça, desça procurando o guichê de informações... 
Enfim. Pegar o trem pra Vernon, pegar o ônibus pra giverny logo do lado da estação (tem setas) e chegar nesse lugar pacífico já deu uma acalmada.  


Muito legal que pra chegar na cidadezinha, ao seguir as setas, você já tem a sensação de estar meio no meio do mato. Os mapinhas entregues no ônibus ajudam.







Primeiro você passa pelo museu, com um jardim fofinho e com peixes muito estéticos... Divertido ficar vendo eles respirarem, mas isso não dá pra ver na foto...

  




 Não sei o que são essas frutinhas, mas achei elas também estéticas.

Eu na fila pra entrar nos jardins, exausta e ainda muito irritada com a estação de trem e com o clima (bem frio de manhã e calorzão de dia, segurando casacos ou suando... finjo bem?).




Os jardins de Monet são uma graça. Olhando as fotos, talvez já no meu lado do mundo (pra esquerda e pra baixo), sem calor e com melhor domínio sobre a rede de transportes, não consigo entender porque eu não me encantei com eles no dia. Sustento que eles são muito menores que o imaginado, menos bonitos que os quadros de Monet (um artista!), e os mil closes que a gente fica querendo dar do laguinho dão a impressão de que eles são vários. Muitos. Inúmeros. Ou eu achava. Enfim, com menos expectativas é um passeio muito agradável, de preferência de carro ou verificando o horário de volta dos trens. Não pode fazer piquenique lá dentro mas no caminho de saída da cidade, logo antes do estacionamento, encontrei um pedacinho de grama com árvores e uns grupos lanchando, super agradável.























Florezinhas vermelhas e brancas na porta da casa de Monet.



Casa de Monet (por dentro é um pouco sem graça... tem um quarto com quadros – lindo – e um monte de desenhos japoneses – ?? – mas a vista do segundo andar pro jardim é muito mais bonita do que lá de baixo).




Esquerda do jardim...


... e direita.






Na pontezinha uma brasileira ficou desejando em voz alta que eu saísse pra ela ficar com a ponte só pra foto dela. Também, esnobei ela perguntando em português se ela queria que eu tirasse foto dela na ponte (memórias rancorosas!).




 O lado da ponte com a árvore retorcida...
O lago é lindo. É lindo ver as coisas refletidas no lago. Aliás, não sei o que faz a água refletir mais ou menos o que tem em cima... será a profundidade? Não sei mas admiro.




 Momento “naturalmente Monet”:









Vista do laguinho pra fora... Giverny é meio no meio do nada. Pelo que eu entendi pode ser parte do trajeto a Mont Saint-Michel, que parece que é lindo, mas acho que deve ser mais legal de carro.









“Janela” de galhos com vista pro lago.


















Flores “naturalmente Monet” 2.




Restaurante do museu, super bonitinho, mas cheguei tarde demais pra comer, só tinha lanches.




Estação de Vernon, onde fiquei duas horas esperando o trem porque peguei o ônibus pra voltar cedo demais. A cidadezinha de Vernon... nem fui ver, mas um grupo que foi dar uma volta voltou rapidinho. Sugiro fortemente atenção aos horários do trem.


Na volta é que ocorreu o evento “leve delinqüente” no trem. Estou eu sentada na cabine do trem, toda colorida (assentos roxos, com encostos pra cabeça meio fluorescentes, cada um de uma cor... devia ter tirado foto) num momento diversidade humana: cara mal encarado com jeito de rapper de um lado, dupla de senhoras conversando alegremente em voz alta, negão embalado em panos brancos estilo “santo” ou “maluco” rezando em voz baixa, porém bem audível, do lado dum senhor muito míope, prestando atenção sem querer à conversa das senhoras, monte de gente em pé, pessoas cochilando sentadas no chão, homem segurando bolo... Ofereci pra segurar o pacote e ele fez questão de me mostrar o que tinha dentro. Eu achei q ele tava querendo dizer pra eu não comer o conteúdo (docinhos lindos) e considerei a atitude meio bizarra, mas depois cheguei à conclusão que ele tava querendo mostrar que não era bomba... Sei que no meio disso de repente escutamos no alto falante do trem uma voz meio bêbada, meio rindo, falando palavras pela metade. Pequeno silêncio, homem do bolo e senhoras se entreolharam, eu pensei “seqüestraram o trem”! (Livros policiais demais, talvez) Sei que foram alguns momentos tensos. Dali a uns minutos a voz bêbada volta, dizendo, em francês: “por favor todas as mulheres bonitas deste trem se apresentem no último vagão para controle”. Senhoras alegres, senhor míope e eu caímos na gargalhada, homem do bolo ficou meio ressentido com a brincadeira (acho que ele também acreditou no seqüestro do trem).

2 comentários:

  1. Adorei as fotos do jardim. Parece um lugar bonito. Acho que quando eu for vou esticar ate Mont Saint Michel que sou louca para conhecer. Nao sabia que era caminho.
    Ah, e acho que os frutos estéticos são romãs. Não são? Parecem.
    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Você devia estar muito mal humorada mesmo quando chegou lá, suas fotos estão incríveis!
    As frutas realmente parecem romãs.
    Bj

    ResponderExcluir