quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nem a cotovia, nem o rouxinol...

Foi difícil chegar em Verona. Não por ser mesmo difícil, mas tudo que eu fiz ontem com muita calma, fiz hoje com pressa e acabei levando mais tempo ainda. Enfim, não se pode ser sábia sempre...
Mal entendidos e correrias à parte, cheguei na Arena de Verona no fim da tarde. Mas nessa estação maravilhosa, que ainda se chama inverno mas deveria se chamar a Melhor Estação, tipo a Melhor Idade, só que sem condenscendências, enfim, em <3 Abril <3 o sol só se põe às oito, então foi o tempo certo pra eu me desobrigar de seguir a check list e suficiente pra andar todo o centro histórico com calma e só procurando os lugares agradáveis e priorizando vista linda em vez de cultura, tradicionalmente falando.












A Arena me decepcionou um pouco. Já tinha visto ela em videos de concertos, e à noite, filmada de cima, lotada e com uma galeria pequenininha no meio cantando, e também sem os andaimes coloridos da manutenção, bem, ela parecia bem maior e mais bonita. Não é um Coliseu, com estruturas complexas embaixo do palco e um milhão de níveis, mas Verona tanbém não é Roma, e ainda bem.










 A vista da Arena pra praça principal.




Aliás ontem uma coisa que me impressionou no La Scala foi como você se sente perto do palco, e como a acústica é de um jeito que o cantor não precisa gritar nem empostar muito a voz e você escuta ele, baixinho, mas claramente. Me lembro que nesse vídeo fiquei impressionada também com a acústica da Arena, mas essa só vou poder comprovar quando Raphael arranjar um sanduíche pra mim por aqui. Porque em junho, nêga, sou mais o carnaval no Rio, Deus me livre de passar calor nessa terra de novo. Viajo de milha mas sou limpinha.
De fato, as hordas de turistas são assombrosas, e de fato, quando elas somem a cidade aparece. Em silêncio. Aliás Europa é um exercício de silêncio. No trem vim comendo uma pizza #farofada e quase me imcolhi (mistura de implodir com encolher) de ouvir o barulho do imenso papel da enorme pizza a cada mordida, no meio da segunda classe do trem lotado com adolescentes aos montes. Em silêncio, todos. Até a mulher que assoava o nariz ao lado e falava no telefone fazia menos barulho que eu. Acho que durante o sanduíche vai rolar um trial de seroquel até a adaptação transcultural se completar.
Depois da Arena você cai numa rua bonita, com chão meio de mármore, onde ainda assim eu vi passar carro à noite (será que não derrapa?). Lojas caríssimas, outras velhas conhecidas, ocupando o primeiro piso de um prédio antigo atrás do outro. Daquela cor de terra batida, queimada, queria eu saber algo de construção. Marrom, abóbora, amarelo, muitas com florezinhas na varanda, vontade de tirar foto de todas. Aliás está lançado o concurso de foto mais bonita de janela na Itália.








A rua de novela e nata da sociedade vai aos poucos dando lugar a ruelas antigas, que dão voltas e terminam, ou estreitam, e dão em largos pequenos ou pracinhas, com mil ou alguns restaurantes à volta. De repente não tem mais padrão e você se vê ora numa rua com parede alta, lisa e cinza, ora noutra enfeitada com pilastras de um lado ou com comprimento quase igual à largura. Fui seguindo as setas, não tirei foto das setas, benditas elas, que me trouxeram de volta depois que o gps do celular morreu e o meu próprio dormiu, o tempo todo verificando se você está no caminho certo pros 10 pontos turísticos de verona. E sempre acertam, o que impressiona. Confiem nas setas.



Queria ir no teatro romano, que estava fechado, mas valeu imensamente por ter ido até a Ponte Incrível 1, que me lembrou Florença e o Arno, e eu mais uma vez sem saber qual é o rio mais bonito do mundo.


















A Ponte Incrível 2 parece bem mais antiga que a ponte vecchio de florença, e deve ser mesmo, e de proposta tão diversa que é mesmo incomparável. Mas o que a ponte vecchio tem em cores a Ponte Incrível 2, que é parte do Castellvecchio que é um Castelo como você imagina que um castelo seja tem em diversão. Com buracos de todos os tamanhos pra ver o rio e inclusive degraus pra você subir na ponte! E o pôr do sol. Nem a fome de não ter almoçado na confusão e o estômago com um sorvete (maravilhoso) e uma pizza me fizeram deixar de testar todos os filtros da maquina e do celular de frente pro sol nas nuvens e no rio e no céu azul. Sério. Vontade de encostar na parede de tijolos e ficar balançando as pernas até o sol se pôr, e tinha adolescentes que estavam fazendo exatamente isso.
E mais aliás ainda, quanta gente mais nova que eu no mundo, meu Deus (Itália católica, não vou dar mole de esquecer a maiúscula). Fazendo tanto do que eu já fiz e ainda tenho vontade de fazer, menos por não ser novidade e mais por não fazer quase que nunca mais! Só tem gente mais nova ou mais velha que eu no mundo. E quando o cara grisalho e/ou careca tem a sua idade e você demora a entender? Por onde andam os midi-balzaquianos???




























No caminho entre as Pontes Incríveis passei na frente do Duomo de Verona, me prometi que veria ele aberto amanhã, e mais tarde me prometi que ia dormir até tarde em vez de. Se for que nem a única igreja na qual consegui entrar, perdi. Um escândalo.

























À noite, jantar roots num restaurante local com preços bons e garçons amáveis - simpáticos e calorosos sem serem histriônicos, sinceros e respeitosos. Pra pessoa que se sente criticamente observada o tempo todo, um achado de relacionamento interpessoal. Aliás hoje foi melhor, depois que comprei um calça jeans nova (ah, o capitalismo) e um casaco padrão. Mantive um sapatinho vermelho, pra ninguém esquecer que não sou daqui e que meu passaporte não é vermelho nem vinho, mas achei que a saia de corujinhas estava demais naquele meio de europeus pretos da cabeça aos pés ou com combinações absolutamente esdrúxulas de cores esmaecidas ou estampas impensáveis. 
E ainda dizem que não faço nada. Pensar não conta?

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