segunda-feira, 14 de abril de 2014

Milão e redondezas

Meninas, resolvi seguir a sugestão de vocês.

Me arrumei pra sair à noite.
 Procurei um lugar com muita gente.

 E música ao vivo.
 E passei a noite toda olhando prum homem lindo.


 


Ha ha.

Confesso que pensei em abortar missão (olha o útero falando) depois de um dia lindo em Como e Bellagio, com muito sol, fotos incríveis, vista pros Alpes, caminhadas.. tudo o que eu queria era ficar ali até último trem vendo o sol ou a lua refletirem na água e escutando o silêncio do mar. Porque lá o mar não faz barulho, acho que porque não tem praia; vai ver a areia é que é faladeira. As pedras ficam lá quietinhas no meio de flores coloridíssimas e com direito a esculturas no meio do caminho.


 






 




































Mas já tinha comprado, né, acordei cedo, três horas depois de abrir a bilheteria no outro fuso horário (ou seja, à seis da manhã no Brasil) e comprei literalmente um dos últimos ingressos, se não o último; hoje eu contei uns mil lugares no teatro. Que aliás de fora não impresiona nada, é decepcionante até, talvez pela ausência de rococó. Você espera (eu esperava) que o teatro mais famoso (ou metido) da Europa tenha uma senhora apresentação. E o tal Scalla nem alto é, achei o predio bem baixinho. Lá dentro entendi que as fileiras de assentos tem o teto bem baixo e por isso cabe uma galera. E o ingresso veio pelo correio da Itália (achei isso o máximo).

 Subindo as escadas pra galeria (foi o que eu consegui comprar, era o último, e foi barato) já gostei. Não tive coragem de tirar fotos na frente de todo mundo (continuo tímida, ou falta vinho) mas nas paredes das escadas, ao longo de todos os lances (são uns cinco andares, ou seis) tem cartazes da primeira apresentação de óperas famosas, lá no Scalla de Milano. Por mais que vocês sejam como eu, sem cultura, os nomes são impossíveis de não serem reconhecidos. Pense no nome de uma ópera, a única que você conhece, e estava lá, todos os cartazes com o mesmo tipo de letra num papel meio amareladinho. Teve um que eu tive que tirar foto, assim bem rápido e quase olhando disfarçadamente pro outro lado, porque além de ser minha ópera favorita (das poucas que conheço, mas essa eu gosto mesmo) estava com uma faixa onde dizia que foi proibida pela ditadura facista. Tenho minha questão emocional com a história e as ditaduras (quase sinônimos) então cheguei a ficar quase emocionada (um pouco difícil se emocionar no meio de um mulão de gente com pressa e ainda tentando não chamar mais atenção ainda do que eu já estava chamando, carregando duas mochilinhas, uma com a qual eu saí de casa e a outra que eu comprei em Bellagio, além do cabelo despentado de andar de barco o dia todo, o lenço muito mais colorido que o de todas as outras mulheres, e a falta de haldol).  
E depois ainda tive um microssegundo onde achei que as teclas do piano eram maiores, talvez fome. Era o reflexo das teclas no piano que estava tão bem encerado que era realmente um espelho. De cima, lá na "geral" onde eu estava, da segunda fila de onde só se via o palco em pé, eu via as teclas e a mão do pianista refletindo do outro lado quase parecendo outra pessoa tocando (muita fome, talvez).
 

O espetáculo dispensa comentários, o cara parece uma caixinha de música. Faz miséria com a voz e ainda ri e faz cara feia no clima da música. Bem verdade que mal se mexe no palco, mas quem precisa se mexer se é lindo, bem vestido e com uma voz inacreditável?
Na verade o mais impressionante eu não consegui registrar, dessa vez não por timidez mas porque foi muito rápido. Não sei se aqui não se dá bis ou sei lá o quê, mas a platéia, totalmente quieta durante cada mini intervalo entre as músicas e olhando feio entre si pra quem tossia em uma pausa ou olhava o celular sem fazer barulho, aplaudiu, não latinamente, mas talvez de forma um pouco germânica, sem emoção, mas com persistência, sem ritmo ou gritos, mas com persistência, sem muito volume, mas vocês entenderam, a galera não parava de bater palma e ninguém saía do teatro, parecia que estava todo mundo de mão dada, se tivessem combinado não ia ser com tanto foco e com tanta certeza. Todo mundo olhando pro palco, sem parar fazendo aquela cara de "ai, minha mão tá doendo de tanto aplaudir". Eu aplaudi até cansar, fui ao banheiro, voltei e eles ali ainda. Contei o sujeito voltar pra agradecer com o pianista, uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove vezes. Na décima vez (!) eu já estava indo e voltei só pra ter certeza que não ia rolar bis e vi ele se levantando do palco. O cara se ajoelhou pra agradecer a platéia. Ajoelhou mesmo, com os dois joelhos, abaixou a cabeça e levantou sorrindo. Se fosse no Brasil alguém tinha chorado e jogado uma calcinha nessa hora, mas não, foi só essa breve e contida emoção. Quase um militar batendo continência.

Pra ver que até a estátua do Leonardo da Vinci na frente do teatro abaixa a cabeça pra galera que se apresenta lá.



2 comentários:

  1. KKKKKKKKKKK
    KKKKKKKKKKKarmen
    KKKKKKKKKKKKKaufmann
    KKKKKKKKKKKKKKKKomo
    sKKKKKKKKalla

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  2. Que lugar lindo! Luciano está admirado que você é mais obsessiva que ele kkkkk Ele não conseguiria fazer o blog nem de férias. Ficou ótimo, continue postando que a gente vai perturbando pelo caminho : )
    Amanhã viajamos para Argentina. bis bis bjs

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